Amigas e amigos,
Neste edição n. 560, o poesia.net revisita a obra de Fernando Campanella (Pouso Alegre-MG, 1953-), poeta
que já esteve aqui em 2013, no boletim n. 296.
Desta vez, o boletim apresenta poemas de três livros digitais do autor, organizados em autoedições: Antiqua;
Minas Aderit; e Sagração do Ócio. Para a pequena amostra ao lado, selecionei dois poemas de cada um desses volumes.
Comecemos a leitura pelos dois textos extraídos de Minas Aderit. O poeta explica que este título, com a palavra latina
aderit, pode ser traduzido como “Minas está presente”. Comecemos com A cappella, um poema brevíssimo, uma
saudação quase religiosa ao solo mineiro. O texto também sugere um canto, a plenos pulmões e céu aberto, composto apenas
de voz, sem acompanhamento instrumental.
O poeta se dirige a Minas, canta para niná-la e “para que em mim sonhes” — uma complicada operação psicológica mediante a qual
o torrão mineiro vai sonhar dentro da pessoa que o acalenta.
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Fernando Campanella também é fotógrafo, e tem por hábito empreender viagens pelo interior de seu estado natal. Nessas excursões
fotografa pessoas, paisagens, plantas, animais, sempre com um olhar de perscrutação poética.
É assim que encontra lugares como o “Cemitério de São Sebastião das Três Orelhas”, situado em Gonçalves, no sul de
Minas: “Aqui, entre três pedras, jazem / o sr. José Arvino e dona Maria de Jesus. / Aqui dormem minérios, / sonham calcários —
/ o silêncio é história / e velas perpétuas choram”.
Além do próprio nome do lugar, São Sebastião das Três Orelhas — um achado poético —, a descrição do cemitério abre espaço para
muito pensar. Quem teriam sido o sr. José Arvino e dona Maria de Jesus, que lá dormem para sempre, no silêncio dos minerais?
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Passemos para os dois poemas do livro Antiqua. No primeiro deles, “Cantilena”, o poeta se põe a ouvir o cantar dos
grilos num jardim. No texto seguinte, “A Emily Dickinson”, o sujeito poético se dirige à escritora estadunidense do século
XIX: “Emily, Emily, / o que há em ti / que dedilha / cordas tão ternas em mim?”
Vem, por fim, a dupla de poemas extraída do volume Sagração do Ócio. O primeiro texto é
homônimo do livro. Trata-se de uma reflexão existencial, escrita num dia de aniversário do poeta. “Transito pelo tempo
dos pássaros: / quem me conta os anos, / quem na memória me guarda?”.
Poema voltado para dentro, “Sagração do ócio” certamente tem esse título porque descreve um momento de repouso,
quando o eu poético se dispõe a ficar à toa, “de papo para a tarde”, pensando. Como o poeta revela em seus textos uma
forte inclinação religiosa, decidiu atribuir caráter sagrado aos seus silenciosos pensamentos de aniversário.
Agora, o último poema, “A Uma Flor”. Num diálogo com uma flor que “posa” para o fotógrafo, o poeta atribui vaidades
humanas à sua floral “modelo”.
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Natural de Pouso Alegre, no sul de Minas Gerais, o poeta e fotógrafo Fernando Campanella (1953-) é,
no cartório civil, Antonio Fernando Cruz. “O sobrenome Campanella”, escreve ele, “vem da família de minha mãe,
o qual adotei como nome artístico (...)”.
Graduado em Letras (português e inglês), fez cursos de aperfeiçoamento
em língua inglesa nos Estados Unidos e na Inglaterra. Foi também professor de português e inglês em Pouso
Alegre. Publicou, em edições do autor, seis livros de poesia: O Assento Vazio;
Cartas ao Eu; Esfinge Revisitada; Minas Aderit; Antiqua; e Sagração do Ócio.
É membro da Academia Pouso-alegrense de Letras.
Um abraço, e até a próxima,
Carlos Machado
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LANÇAMENTOS
1. Poesia em dose dupla
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Nada nos resta senão cantar
• Luíza Mendes Furia
Abalando o centro de um dia azul
• Ruy Proença
A Editora Cavalo Azul lança duas antologias poéticas em São Paulo: Nada nos resta senão cantar,
de Luíza Mendes Furia;
e Abalando o centro de um dia azul, de
Ruy Proença.
As duas coletâneas fazem parte da
Coleção Albatroz e contêm poemas de todos os livros anteriores dos autores, mais uma seleção de inéditos.
Cada volume traz ainda um longo estudo crítico assinado pelo poeta e ensaísta
Alexandre Bonafim,
que é também o organizador das antologias.
Quando: sexta-feira, 26/09/2025, a partir das 18h30.
Onde: Canto - Centro Cultural - Av. Dr. Arnaldo, 1638 - São Paulo-SP.
2. Ficção
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Quando eu era velha
• Fernanda Pompeu
A jornalista, cronista e romancista Fernanda Pompeu lança Quando Eu Era Velha
(Editora Labrador, 2025), uma ficção que procura descobrir o que é envelhecer.
Quando: sábado, 04/10/2025, das 16h às 19h.
Onde: Livraria Drummond - Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073 - São Paulo-SP.
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